terça-feira, 10 de abril de 2018

INSCRIÇÕES


MINICURSO: "BNCC: ESTRUTURA E ESTUDO DAS COMPETÊNCIAS E HABILIDADES NO COMPONENTE CURRICULAR LÍNGUA PORTUGUESA"

Data dos encontros: 14 e 28 de maio e 4, 11 e 18 de junho de 2018
Local: Biblioteca Estadual Dr. Isaías Paim, localizada na Avenida Fernando Corrêa da Costa, n° 559, 2° andar
Carga horária: 45h
Horário: das 18h30min às 22h


Link do formulário de inscrição: 
https://docs.google.com/forms/d/e/1FAIpQLSe0FU7mphOViZDU-Oa33EjHMLoBGBuk6O9EwHdntYjRDD4b0w/viewform






quarta-feira, 28 de março de 2018

Resultado de imagem para IFMS
Divulga-se formação continuada


Até o dia 4 de abril, o Campus Campo Grande recebe inscrições para o curso semipresencial de Estratégias de Ensino e Aprendizagem. São ofertadas 50 vagas para professores da rede pública da Capital. A inscrição deve ser feita via formulário online. O objetivo é auxiliar na melhoria da qualidade das aulas por meio da utilização adequada de técnicas de ensino. A capacitação tem início no dia 7 de abril, das 8 às 10h, e contará com mais três encontros presenciais, um sábado a cada mês, no próprio campus do IFMS – Rua Taquari, 831, Bairro Santo Antônio. Também estão previstas atividades a distância. O curso é coordenado pelas professoras de Metodologia, Gisela Suppo e Marilyn Matos. Os participantes receberão certificado com carga horária de 40 horas.
Informações: (67) 3357-8500 ou gisela.suppo@ifms.edu.br

Segue abaixo o link do formulário online.

RESUMO DAS INFORMAÇÕES
Curso Gratuito.
Público-alvo: Profissionais com licenciatura em qualquer área do conhecimento (anos iniciais e finais).
Data limite para inscrição: 04 de abril de 2018,
Modalidade: Semipresencial.
Carga-horária: 40 horas divididas em três módulos.
- Módulo I: “Planejamento como Tarefa Didática”;
- Módulo II: “Diferentes Técnicas de Ensino”;
- Módulo III: “Estrutura da Aula Didática”.
Período: 07 de abril a 07 de julho com QUATRO encontros presenciais aos SÁBADOS.
Local dos Encontros Presenciais: Campus Campo Grande do Instituto Federal de mato Grosso do Sul – IFMS – Rua Taquari, 831, Bairro Santo Antônio (Próximo ao Atacadão da Avenida Duque de Caxias).
Requisito: O professor precisará de um computador com acesso à internet para a realização das atividades à distância.
Sítio da agenda do IFMS com a divulgação da notícia: http://www.ifms.edu.br/acesso-a-informacao/institucional/estrutura-organizacional/orgaos-de-apoio-e-controle/comunicacao/agenda-ifms/#01 

quarta-feira, 14 de março de 2018

Caros professores, para acessar os vídeos, o texto sobre planejamento e a Base Nacional Comum Curricular (versão homologada), materiais trabalhados no polo de março, clique nos links abaixo.


sexta-feira, 9 de fevereiro de 2018




Concurso Literário

“Faça Parte Dessa História”

O Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE), por meio da Secretaria Municipal de Educação (Semed), em comemoração aos 80 anos dos Programas do Livro, convida a comunidade estudantil municipal a participar do Concurso Literário “Faça Parte Dessa História, que tem como objetivo a seleção e premiação de obras literárias inéditas escritas em  língua  portuguesa,  por  estudantes  de  ensino fundamental e médio de escolas públicas.
As inscrições estão acessíveis até 2 de abril de 2018 em:  http://www.fnde.gov.br/
Maiores informações por meio do edital: http://www.fnde.gov.br/concursoliterario
Participe! Faça parte dessa história você também!


O Enterro do Sinhô

J. B. SILVA, o popular Sinhô dos mais deliciosos sambas cariocas, era um desses homens que ainda morrendo da morte mais natural deste mundo dão a todos a impressão de que morreram de acidente. Zeca Patrocínio, que o adorava e com quem ele tinha grandes afinidades de temperamento, era assim também: descarnado, lívido, frangalho de gente, mas sempre fagueiro, vivaz, agilíssimo, dir-se-ia um moribundo galvanizado provisoriamente para uma farra. Que doença era a sua? Parecia um tísico nas últimas. Diziam que tinha muita sífilis. Certamente o rim estava em pantanas. Fígado escangalhado. Ouvia-se de vez em quando que o Zeca estava morrendo. Ora em Paris, ora em Todos os Santos, subúrbio da Central. E de repente, na Avenida, a gente encontrava o Zeca às três da madrugada, de smoking, no auge da excitação e da verve. Assim me aconteceu uma vez, e o que o punha tão excitado naquela ocasião era precisamente a última marcha carnavalesca de Sinhô, o famoso Claudionor...

que pra sustentar família
foi bancar o estivador...

Me apresentaram a Sinhô na câmara-ardente do Zeca. Foi na pobre nave da igreja dos pretos do Rosário. Sinhô tinha passado o dia ali, era mais de meia-noite, ia passar a noite ali e não parava de evocar a figura do amigo extinto, contava aventuras comuns, espinafrava tudo quanto era músico e poeta, estava danado naquela época com o Vila e o Catulo, poeta era ele, músico era ele. Que língua desgraçada! Que vaidade! mas a gente não podia deixar de gostar dele desde logo, pelo menos os que são sensíveis ao sabor da qualidade carioca. O que há de mais povo e de mais carioca tinha em Sinhô a sua personificação mais típica, mais genuína e mais profunda. De quando em quando, no meio de uma porção de toadas que todas eram camaradas e frescas como as manhãs dos nossos suburbiozinhos humildes, vinha de Sinhô um samba definitivo, um Claudionor, um Jura, com um "beijo puro na catedral do amor", enfim uma dessas coisas incríveis que pareciam descer dos morros lendários da cidade, Favela, Salgueiro, Mangueira, São Carlos, fina-flor extrema da malandragem carioca mais inteligente e mais heróica... Sinhô!

Ele era o traço mais expressivo ligando os poetas, os artistas, a sociedade fina e culta às camadas profundas da ralé urbana. Daí a fascinação que despertava em toda a gente quando levado a um salão.

Vi-o pela última vez em casa de Álvaro Moreyra. Sinhô cantou, se acompanhando, o "Não posso mais, meu bem, não posso mais", que havia composto na madrugada daquele dia, de volta de uma farra. Estava quase inteiramente afônico. Tossia muito e corrigia a tosse bebendo boas lambadas de Madeira R. Repetiu-se a toada um sem número de vezes. Todos nós secundávamos em coro. Terán, que estava presente, ficou encantado.

Não faz uma semana eu estava em casa de um amigo onde se esperava a chegada de Sinhô para cantar ao violão. Sinhô não veio. Devia estar na rua ou no fundo de alguma casa de música, cantando ou contando vantagem, ou então em algum botequim. Em casa é que não estaria; em casa, de cama, é que não estaria. Sinhô tinha que morrer como morreu, para que a sua morte fosse o que foi: um episódio de rua, como um desastre de automóvel. Vinha numa barca da Ilha do Governador para a cidade, teve uma hemoptise fulminante e acabou.

Seu corpo foi levado para o necrotério do Hospital Hahnemanniano, ali no coração do Estácio, perto do Mangue, à vista dos morros lendários... A capelinha branca era muito exígua para conter todos quantos queriam bem ao Sinhô, tudo gente simples, malandros, soldados, marinheiros, donas de rendez-vous baratos, meretrizes, chauffeurs, macumbeiros (lá estava o velho Oxunã da Praça Onze, um preto de dois metros de altura com uma belida num olho), todos os sambistas de fama, os pretinhos dos choros dos botequins das ruas Júlio do Carmo e Benedito Hipólito, mulheres dos morros, baianas de tabuleiro, vendedores de modinhas... Essa gente não se veste toda de preto. O gosto pela cor persiste deliciosamente mesmo na hora do enterro. Há prostitutazinhas em tecido opala vermelho. Aquele preto, famanaz do pinho, traja uma fatiota clara absolutamente incrível. As flores estão num botequim em frente, prolongamento da câmara-ardente. Bebe-se desbragadamente. Um vaivém incessante da capela para o botequim. Os amigos repetem piadas do morto, assobiam ou cantarolam os sambas (Tu te lembra daquele choro?). No cinema d'a Rua Frei Caneca um bruto cartaz anunciava "A Última Canção" de Al Johnson. Um dos presentes comenta a coincidência. O Chico da Baiana vai trocar de automóvel e volta com um landaulet que parece de casamento e onde toma assento a família de Sinhô. Pérola Negra, bailarina da companhia preta, assume atitudes de estrela. Não tem ali ninguém para quebrar aquele quadro de costumes cariocas, seguramente o mais genuíno que já se viu na vida da cidade: a dor simples, natural, ingênua de um povo cantador e macumbeiro em torno do corpo do companheiro que durante tantos anos foi por excelência intérprete de sua alma estóica, sensual, carnavalesca.


BANDEIRA, Manuel

quinta-feira, 8 de fevereiro de 2018


A Cantiga do Sertanejo
Love me, and leave me not.
SHAKESPEARE, Merch. Of Venice

Donzela! Se tu quiseras
Ser a flor das primaveras
Que tenho no coração:
E se ouviras o desejo
Do amoroso sertanejo
Que descora de paixão!...

Se tu viesses comigo
Das serras ao desabrigo
Aprender o que é amar...
- Ouvi-lo no frio vento,
Das aves no sentimento,
Nas águas e no luar!...

Ouvi-lo nessa viola,
Onde a modinha espanhola
Sabe carpir e gemer!...
Que pelas horas perdidas
Tem cantigas doloridas,
Muito amor, muito doer...

Pobre amor! o sertanejo
Tem apenas seu desejo
E as noites belas do val!...
Só o ponche adamascado,
O trabuco prateado
E o ferro de seu punhal!...

E tem as lendas antigas
E as desmaiadas cantigas
Que fazem de amor gemer!...
E nas noites indolentes
Bebe cânticos ardentes
Que fazem estremecer!...

Tem mais... na selva sombria
Das florestas a harmonia,
Onde passa a voz de Deus,
E nos relentos da serra
Pernoita na sua terra,
No leito dos sonhos seus!

Se tu viesses, donzela,
Verias que a vida é bela
No deserto do sertão:
Lá têm mais aroma as flores
E mais amor os amores
Que falam do coração!

Se viesses inocente
Adormecer docemente
À noite no peito meu!...
E se quisesses comigo
Vir sonhar no desabrigo
Com os anjinhos do céu!

É doce na minha terra
Andar, cismando, na serra
Cheia de aroma e de luz,
Sentindo todas as flores,
Bebendo amor nos amores
Das borboletas azuis!

Os veados da campina
Na lagoa, entre a neblina,
São tão lindos a beber!...
Da torrente nas coroas
Ao deslizar das canoas
É tão doce adormecer!...

Ah! Se viesses, donzela,
Verias que a vida é bela
No silêncio do sertão!
Ah!... morena, se quiseras
Ser a flor das primaveras
Que tenho no coração!

Junto às águas da torrente
Sonharias indolente
Como num seio d'irmã!...
- Sobre o leito de verduras
O beijo das criaturas
Suspira com mais afã!

E da noitinha as aragens
Bebem nas flores selvagens
Efluviosa fresquidão!...
Os olhos têm mais ternura
E os ais da formosura
Se embebem no coração!...

E na caverna sombria
Tem um ai mais harmonia
E mais fogo o suspirar!...
Mais fervoroso o desejo
Vai sobre os lábios num beijo
Enlouquecer, desmaiar!...

E da noite nas ternuras
A paixão tem mais venturas
E fala com mais ardor!...
E os perfumes, o luar,
E as aves a suspirar,
Tudo canta e diz - amor!

Ah! vem! amemos! vivamos!
O enlevo do amor bebamos
Nos perfumes do serão!
Ah! Virgem, se tu quiseras
Ser a flor das primaveras
Que tenho no coração!...

AZEVEDO, Álvares de (in Lira dos Vinte Anos)